N'água e na pedra amor deixa gravados
seus hieróglifos e mensagens, suas
verdades mais secretas e mais nuas.

"Entre o ser e as coisas"
Carlos Drummond

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Clareira

Eu atravesso
o tecido espesso do tempo,
tinjo de vermelho fosco
a tapeçaria intrincada
que bate o vento
e nunca seca.

Seria um tear sem fim
a substituir vermelho por cores
e depois novo vermelho,
encharcando o solo a ponto de fugir
na esperança de um coágulo,
ou umidade de terra que transformasse,
de líquido em líquido,
em transmutada fertilização.

Corar de céu diurno
os sérios brinquedos
de seda arranhada,
lavar com sol e lua
a vestimenta torta
da cabeça dos seres.

Rasgar em novos fios,
finos e resilientes,
compondo novelos
com o breve intuito
de entrelaçar poros
molhando no espelho vivo
dos rios.

Desvendo trilhas
cortando certezas,
com as folhas secas da cegueira
gero a seiva da visão;
desenho em pontos
um figurino de chuvas.

2 comentários:

Gelly A. disse...

Vou imprimir esse poema e fazer um quadro com ele! A beleza plástica está bem no centro dele... Que capricho, meu amigo!

Janice Adja disse...

Palmas!!